Com a entrega da declaração de IRS, o tema das deduções fiscais ganha destaque para os contribuintes portugueses. Para ajudar a esclarecer algumas questões de natureza fiscal, Paulo Anjos, Professor Adjunto Convidado no ISCAP e Revisor Oficial de Contas (ROC), partilhou algumas dicas práticas sobre como trabalhadores independentes, trabalhadores por conta de outrem e senhorios podem otimizar os seus benefícios fiscais.
Segundo Paulo Anjos, no regime simplificado, as deduções para trabalhadores independentes dependem da aplicação de coeficientes, mas estão condicionadas à prova de despesas. Por exemplo, um rendimento anual de 100.000 euros com um coeficiente de 0,75 exige a comprovação de 15% desse valor em despesas, ou seja, 15.000 euros. Deste montante, o contribuinte beneficia automaticamente de uma dedução fixa de 4.462,15 euros, sendo necessário registar pelo menos 10.537,85 euros em despesas relacionadas com a atividade no portal e-fatura para usufruir do abatimento total de 25%.
Paulo Anjos sublinha que a contabilidade organizada pode ser mais vantajosa para quem enfrenta encargos elevados, permitindo deduzir gastos com salários, combustíveis e honorários de contabilistas sem as limitações do regime simplificado.
No caso dos rendimentos prediais, o especialista alerta que nem todas as despesas são aceites pela Autoridade Tributária. Enquanto o IMI, condomínio e seguros de renda são dedutíveis, custos com mobiliário, eletrodomésticos ou decoração não entram na contabilidade.
Para o ano de 2026, Paulo Anjos reforça algumas recomendações essenciais, ficar atento às novidades do Orçamento do Estado, que incluem: aumento da dedução de rendas para 900 euros; novas deduções de 15% do IVA na compra de livros e bilhetes culturais.
Seguindo estas orientações, é possível não só reduzir o imposto a pagar como também aumentar o reembolso do IRS, transformando a entrega da declaração num processo mais eficiente e vantajoso.

