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Publicado em: 28 Outubro 2026

António Cunha, Professor Auxiliar da FCEP, esteve presente no Porto Canal para analisar OE2027

António Cunha, Professor Auxiliar da FCEP, juntamente com o Filipe Fernandes, especialista em Ciência Política, analisaram o Orçamento de Estado 2027

Em entrevista ao Porto Canal, no programa Ordem do Dia, António Cunha, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências Empresariais do Porto, analisou as principais medidas orçamentais, destacando a necessidade de investimento na habitação e o impacto que a prestação social única poderá ter no mercado de trabalho e nas receitas da Segurança Social. Na análise efetuada, considera que o Orçamento do Estado para 2027 deverá ser aprovado sem grandes dificuldades, mas mantém desafios importantes ao nível da habitação, da despesa pública e do emprego.

Sobre a crise da habitação, António Cunha considera que Portugal continua a enfrentar as consequências de uma década de políticas públicas erradas, cujos efeitos ainda não foram corrigidos. Para o Professor, a resolução do problema depende de duas condições essenciais: “capital e tempo”. A construção das habitações necessárias exige um investimento significativo e um período prolongado até que a oferta consiga responder à procura.

António Cunha sublinha ainda que a crise não afeta todos os municípios da mesma forma. A pressão dos preços concentra-se sobretudo nos centros de Lisboa e do Porto, onde a procura aumentou nas últimas décadas. Apesar de existirem cerca de 700 mil alojamentos vazios em Portugal, muitos localizam-se no interior do país, onde a procura é menor. Nas duas principais cidades, persistem também imóveis desocupados devido a questões relacionadas com os antigos regimes de arrendamento, o congelamento de rendas e as heranças.

Relativamente ao OE2027, António Cunha antecipa uma aprovação sem grandes obstáculos, considerando que várias medidas terão sido negociadas entre o Governo e o Partido Socialista. Ainda assim, destaca o aumento significativo da despesa pública, impulsionado sobretudo pelo reforço das prestações sociais e pelas progressões nas carreiras da função pública. Para as empresas no setor privado, a principal medida passa pela redução progressiva do IRC, com uma descida de um ponto percentual por ano. O Professor considera, contudo, que o orçamento não apresenta grandes alterações para o setor privado, embora a redução do imposto possa aumentar os lucros das empresas e, indiretamente, criar condições para uma subida dos salários.

Uma das principais novidades previstas para 2027 é a prestação social única, que poderá incentivar pessoas atualmente fora do mercado formal de trabalho a declarar rendimentos e a contribuir para a Segurança Social. Segundo as previsões analisadas pelo docente, cerca de 70 mil pessoas poderão passar a declarar rendimentos, contribuindo para o aumento das receitas públicas. O mecanismo permitirá acumular rendimentos do trabalho com apoios sociais, dentro de determinados limites, procurando evitar que a entrada no mercado de trabalho implique a perda imediata dos benefícios. António Cunha explica que este modelo segue uma lógica de “imposto negativo”, já aplicada noutros países, e poderá contribuir para reduzir a informalidade e incentivar o emprego declarado. O funcionamento desta medida será particularmente relevante num orçamento que prevê uma taxa de desemprego de 5,7%.

O Professor alerta, no entanto, que as previsões orçamentais estão dependentes de fatores económicos que Portugal não controla, nomeadamente a evolução dos mercados financeiros, das taxas de juro e do preço do petróleo. Uma eventual quebra económica poderá reduzir o consumo energético e pressionar os preços do petróleo em sentido descendente, mas teria também consequências negativas para as empresas, o emprego e os rendimentos das famílias.

Entre os desafios para 2027, António Cunha destaca, assim, a necessidade de responder aos problemas estruturais da habitação, acompanhar o impacto das novas medidas sociais e garantir que as previsões económicas se concretizam. Num contexto de incerteza internacional, a execução do Orçamento do Estado será determinante para avaliar os efeitos das políticas públicas na economia e nas condições de vida dos portugueses.

Veja a entrevista na íntegra aqui.

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