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Opinião P.PORTO | Susana Bastos

ISCAP

Que futuro para a profissão dos contabilistas?


ISCAP Artigo de opinião de Susana Bastos, docente do ISCAP, escola de Ciências Empresariais do Politécnico do Porto Muito se tem falado sobre a “revolução” no mundo da contabilidade fruto da digitalização, que tanto se apregoa a nível europeu há já alguns anos. O futuro do profissional desta área do conhecimento e afins encontra-se em linha com o futuro das demais profissões. Segundo dados da OCDE e do Banco Mundial, no ano de 2020, muitas das profissões vão deixar de existir tal como as entendemos hoje, sendo sujeitas a uma metamorfose.

É urgente dotar os já profissionais e os ainda estudantes da profissão – contabilidade, gestão, auditoria, das necessárias competências técnicas (hard skills) e transversais (soft skills), adiante designadas de Core Skills.

O ISCAP iniciou um projeto financiado pela União Europeia com parceiros da Finlândia, Áustria, Eslovénia, Espanha e Holanda, cujo objetivo central é o de criar uma framework das soft skills que o mundo do trabalho precisa para as profissões do século XXI e, por outro lado, o que as escolas superiores devem incluir nos seus curricula para potenciar e desenvolver essas skills junto dos seus estudantes. O enriquecimento dos curricula dos cursos superiores desta área do conhecimento passa forçosamente pela inclusão de unidades curriculares de soft skills e de um elevado grau de inter e multidisciplinariedade que crie um ambiente inclusivo ao longo do curso.

Como resultado do trabalho de investigação desenvolvido nos últimos oito anos e com a adjuvante valoração retida de inquéritos realizados a mais de trezentas organizações e professores em Portugal e na Finlândia, a maioria das partes envolvidas no processo de ensino/aprendizagem e os profissionais dos recursos humanos, concorda que as competências profissionais englobam cada vez mais as competências pessoais como a comunicação, inovação, digitalização, pensamento crítico, trabalho em equipa, entre outras.

Daqui decorre que um dos principais desafios para as escolas e para as organizações, consista em facilitar a formação do desenvolvimento pessoal, ou seja, o ensino personalizado. Quando o desenvolvimento pessoal é definido como o principal objetivo, espera-se que a tríade das partes: estudantes, professores, organizações, tenham um papel dinamizador e ativo incutindo no próprio estudante um papel ativo no seu próprio processo de aprendizagem, levando-o a ter consciência das suas competências e limitações.

Assim, o processo de ensino/aprendizagem do estudante, desde o momento em que entra na escola superior, até integrar o mercado de trabalho, irá traduzir-se numa self awareness e num empowerment, fundamentais para o crescimento individual e profissional do mesmo. Neste caminho de aprendizagem ao longo da vida, o feedback e a avaliação do professor/empregador/coacher devem ser responsáveis, contínuos e construtivos.

Os principais desafios para que o Student 4.0 cresça e amadureça estão relacionados com:

As escolas superiores têm consciência do seu papel na era digital? Os estudantes estão preparados para assumir o papel ativo que é necessário? Os professores apresentam as necessárias competências transversais? Os professores são os coachers? Os métodos de ensino/aprendizagem ativos encontram-se implementados de forma correta nas escolas? As organizações em geral e os profissionais de recrutamento estão preparados para detetar este Student 4.0?

O grau de competências transversais que determinado profissional ou futuro profissional conseguir agregar, determinará a extensão do seu sucesso. Este é o desafio atual da profissão.

Abraçar a era digital nos processos de trabalho diários é a solução que defendo de forma a criar um efeito indutor e gerador de autorreflexão por parte dos profissionais/professores/estudantes da contabilidade.

Autor

CCIC | P.PORTO

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